domingo, 25 de outubro de 2009

Como tudo começou ?



Como nasceu o interesse pelo assunto ? Há alguns anos atrás resolvi escrever um texto para teatro onde o personagem principal tinha Síndrome de Down. Durante o processo iniciei uma pesquisa sobre o assunto que me foi extremamente útil. Além dos textos que li, conheci diversas pessoas, muitas delas na Internet ,que me trouxeram o enfoque humano que eu tanto queria. As questões médicas são muito importantes mas o que importava para a criação do texto eram os sentimentos, os conflitos, as alegrias, as tristezas, enfim, este emaranhado de situações que normalmente se vive.


Conversei principalmente com pais e familiares. Uma avalanche de informações e histórias desabaram na minha cabeça. Desabaram é a palavra certa. Descobri um mundo de injustiça e de preconceito. Porque afinal eu não sabia disso ? Na minha imensa ignorância, achava que esses eram assuntos superados. Não havia preconceito nem tabus. Porque eu achava isto ?

No meu tempo de escola não me lembro de nenhum deficiente. Nenhum. Lembro-me de um rapaz surdo que era nosso amigo no bairro em que morava. Ele era muito legal e até dançava em bailinhos conosco. Essa foi minha experiência com a questão da deficiência. Se eu conhecia apenas uma pessoa com deficiência auditiva e ele era bem aceito pelos amigos, pela escola, então isso me convenceu que não existiam problemas. Quem sabe eu até pensasse que nem existiam tantos deficientes assim ! Eu não via, então não existia.

Quando as famílias me relataram os fatos que ocorriam a partir do nascimento de seus filhos ou parentes, me senti vivendo na pré-história. Para falar a verdade é assim que me sinto até hoje.

Bem, não vamos ser assim tão pessimistas...claro que a coisa andou. É só dar um pulinho na Reatech para perceber isso. Melhoramos muito no campo da medicina, das próteses, das leis... mas como tinha dito, meu interesse é sempre o humano e aí é que a porca torce o rabo.

Quero declarar também que existe muita generosidade, muita gente bacana, mas ainda estamos longe de habitar num planeta justo.

Até agora temos agido assim: vou esperar perder minha perna ou meu braço ou a minha visão para me preocupar com isso. Por enquanto não é comigo !

Para resumir a minha história, a peça de teatro não saiu ainda, mas outros trabalhos começaram a surgir. Imaginei que se pudéssemos fazer com que uma pessoa sentisse, por alguns instantes, o que um deficiente sente, conseguiríamos alcançar diretamente o coração através da sensibilização. Ex: taparmos os olhos de uma pessoa e ela tentaria fazer coisas simples do dia-a-dia, ou então, sentarmos uma pessoa numa cadeira de rodas e mostrar como é difícil um simples passeio. E assim vai. Nasceu um trabalho que chamamos de vivência sensorial. Essa é uma outra história e contarei da próxima vez.

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